quinta-feira, junho 25

Restaurante baby friendly #1: Búzio, Praia das Maçãs




No fim-de-semana passado rumámos a Sintra, cheios de vontade de algum tempo de qualidade a três para carregar baterias, algo que não tem sido fácil nos últimos tempos cá por casa. Precisamos mesmo muito de férias e de desligar muitos cabos.

Acabámos num restaurante a que o pai já tinha ido com um cliente do escritório, o Búzio, na Praia das Maçãs. Não ia com expetativas nenhumas, eu que ando sempre em cima da Time Out e afins, e sou bastante crítica com os sítios que escolhemos. Não sei se foi a descontração ou não, mas acabou por se revelar a escolha perfeita para toda a família.

Começámos logo por ter de dar o almoço ao Henrique. Havia espaço para o carrinho entre as mesas, cadeirinha para colocar na mesa e, apesar do restaurante estar cheio, é suficientemente espaçoso para não ter demasiado barulho. Aqueceram a sopa dele, trituraram manga e reservaram o resto para nós, tudo na maior das simpatias, rapidez e atenção. No fim, o pai pôde mudar-lhe a fralda porque o trocador estava fora da casa de banho das mulheres - há pormenores tão simples que fazem a diferença!

Só trouxeram as ostras que tínhamos pedido no momento exato em que ele acabou. Raros são os restaurantes que, não sendo de luxo, conseguem ter a sensibilidade para conseguir os timings perfeitos. Acabámos por comer a fruta da época, umas sardinhas, as melhores da temporada, até agora, e para sobremesa, um leite creme divinal, um dos melhores que já comi na vida. Não é barato (cerca de € 50 os dois mas as entradas e saídas encareceram, a dose de sardinhas era €10) mas depois da experiência atribulada, barulhenta e impessoal da Adega das Gravatas do fim-de-semana anterior, a simpatia e qualidade deste Búzio fizeram com que ganhasse um espaço especial nos nossos roteiros. Recomendo.

Imagem: BestTables

quarta-feira, junho 24

Adoro os dias banais

Adoro os dias em que conseguimos esquecer-nos que temos isto e aquilo para fazer, ou que estamos a dever um encontro a este e aqueloutro. Adoro simplesmente os dias em que há fraldas para mudar, refeições para cozinhar, casa para limpar, máquinas de roupa para fazer, passeios normais no parque ao final do dia, família que aparece, idas banais ao supermercado e marido querido para adorar naquelas horinhas em que o mini está a dormir, enquanto vemos programas de televisão desinteressantes calmamente, sem estar à procura do filme perfeito para emoldurar a noite. Tudo banal, com muito mimo pelo meio, mas sem calendários. Tudo isso é especial porque é raro.

terça-feira, junho 23

5 mitos sobre as mães-que-ficam-em-casa (sobre a minha vida)



1. Deves ter imenso tempo agora
Eu também dizia isto antes de ter filhos, mas acreditem que encavalitar todos os cuidados e estímulos que uma criança precisa, e sobretudo os mimos que lhe queremos dar, já que optei por ficar em casa para isso mesmo, ocupa cerca de 90% do meu dia útil. No resto do tempo, ou estou a cair de cansaço, ou estou a tentar ser dona da casa, mulher cúmplice, filha, neta, nora, cunhada prestimosa, amiga presente, uma espécie de blogger principiante, e ainda a tentar manter-me atualizada na minha área profissional, entre todas as coisas de que gosto e preciso de fazer para me sentir inteira. Nada disto faz de mim uma pessoa cheia de tempo propriamente. Tento é ter prioridades, como toda a gente.

2. Cansas-te de não falar com pessoas
Quando se está em casa com um bebé querido somos o alvo preferido dos tempos livres dos avós e dos amigos, o que é verdadeiramente maravilhoso, por isso falo mesmo com muitas pessoas. Além disso, saio sempre de manhã e à tarde e o meu bairro mais parece uma aldeia. É a D. Dulce das frutas e legumes, a D. Teresa do peixe, a menina da caixa do supermercado que já nos conhece, a porteira, os vizinhos...

3. Agora a tua profissão é ser mãe
Eu gosto muito de ser mãe, de tratar da casa e de arrumar como ninguém aqueles assuntos chatos como ligar para a EDP, resolver chatices na loja do cidadão, aniquilar o bicho da madeira cá de casa, de cozinhar, mas nenhuma dessas funções é a minha profissão. Conto ter dois, três filhos e não sei vou ficar com todos eles em casa. Vou ficar enquanto puder, enquanto sentir que está certo e tivermos condições financeiras para tal ou enquanto não surgir uma oportunidade profissional mais aliciante. A minha profissão passa pela comunicação, assessoria de imprensa, produção de conteúdos para web. São dois mundos diferentes e cada um tem o seu lugar na minha vida, sendo que os meus filhos terão sempre o lugar principal, mas adoro desafios e estou sempre atenta a todas as ofertas dentro da minha área, faço inclusive, sempre que posso, alguns trabalhos em regime de freelancer. Quando tiver de deixá-lo na creche assim farei, sem remorsos. Tenho a certeza que ele será muito feliz se souber que eu também o estou.

4. Deve ser tão aborrecido 
Acreditem que me divirto muito mais com o Henrique, do que com muitas pessoas com quem me tenho cruzado... Tenho imensas saudades da boa disposição da equipa com quem trabalhava, de entrar na sala de manhã e de começar logo o dia com umas gargalhadas, mas não só esta foi a minha escolha por agora, como realmente é hilariante dar gargalhadas consecutivas com um bebé que puxa continuamente pela nossa imaginação e para quem somos uma parte considerável do seu mundo. Não olho definitivamente para o relógio, como se faz em muitos empregos...

5. Deves sentir-te tão presa
É verdade que a maioria dos meus dias são ao serviço das rotinas dele, mas tenho a sorte de ter um bebé bastante bem comportado e consigo levá-lo para imensos sítios, combinar programas de amigas e até reuniões com ele. Os avós ainda trabalham e dois deles vivem em Coimbra, por isso não tenho ninguém que fique com ele dias inteiros, mas tanto eles como as tias, e até amigos nossos, se disponibilizam e fazem babysitting regularmente para podermos ter vida social, para eu poder ir ao médico ou tratar de um ou outro assunto a que não o posso levar. Claramente não penso, ai que chatice que tenho aqui este pequeno estorvo que não me deixa fazer nenhum. Na maior parte das vezes é mesmo - que maravilha de vida é esta, a quem é que posso agradecer esta sorte gigante?

segunda-feira, junho 22

Dias felizes: adeus diabetes, olá bom colesterol

Eu sabia que a história da diabetes gestacional geralmente se extinguia realmente no próprio fim da gravidez, como o nome indica, mas precisava de ver no papel os resultados aos primeiros exames de rotina para ter a felicidade de saber que não preciso de voltar a picar-me e que a minha vida não vai voltar a ser aquele inferno de contas e de comida a mais e a menos por obrigação. E ainda tive outro bónus: o meu colesterol está dentro dos parâmetros! Vou só ali dançar loucamente com o Henriquinho para comemorar:


Eu, utilizadora de jeans de maternidade no pós-parto, me confesso


É puro comodismo, mas não quero acreditar que sou a única a fazê-lo, a usar as suas fabulosas calças de maternidade, com aquele espaço tão confortável para a barriguinha, já bem depois de ser mãe. Até a maravilhosa Kate Middleton exibe a sua barriguinha de 5 meses depois de sair da maternidade... Pois eu, confesso, usei os meus dois pares H&M até este fim-de-semana, sete meses depois do parto e de supostamente já não precisar delas. As outras serviam-me, e eu uso-as também, mas havia sempre aquele desconforto, aquele ligeiro aperto e em casa sabia-me mesmo bem estar mais à vontade para rebolar com o minúsculo pelo chão ou para andar pelo bairro. Não era bonito, não, por isso já sentia há um tempo que andava a precisar de uma dignidade que aquelas calças - quase de fato de treino -  não me davam.

Pois ontem aproveitei a folga dada pelo maridão, que esteve fora uns dias, e fui fazer compras sozinha para as Amoreiras, feliz da vida e apostada em acabar com esse degredo com pernas. A Mango tem as melhores calças do mundo para nos fazer sentir maravilhosas e confortáveis - skinny mas de cintura subida. A minha mãe usa, as minhas irmãs usam, eu uso e somos muito felizes com elas. Dantes levava uma pilha de calças para o provador e se gostasse de umas era uma sorte, agora levo uma pilha e gosto de todas, só sou esquisitinha com as lavagens da ganga. Por isso trouxe dois pares, já estou a dar-lhes uso (mesmo sem a bainha feita, chiu) e já tenho os dedos azuis de tanto tocar nelas! O número (40) até é o mesmo de antes de engravidar, e não me dá o maior orgulho, não mas, com o pouco tempo que tenho para comer e tudo o que me mexo, acho que vou conseguir baixá-lo para o 38 até ao outono, pelo menos. Quero lá saber se não sou a mãe mais boazona do verão - sou feliz para caraças! Antes do próximo bebé, vou emagrecer, ai se vou. Quero partir de bom pé, para aguentar a estafa do barrigão a correr atrás do Henriquinho.


domingo, junho 21

Música para bebés na Casa do Gil: a repetir


Ouviu, brincou, ficou a conhecer novos instrumentos, quis puxar os cabelos de outras mães e meter-se com os outros bebés. Claro que ainda é bastante pequenino para conseguir interagir em todos os momentos, mas acho que ainda assim tirou proveito da sessão. Até porque está familiarizado com as cantorias do pai e adora mexer na guitarra dele. E ainda trouxemos imensas amostras para casa! Vamos querer experimentar mais atividades da Fundação do Gil. 

A manhã foi mesmo o único momento deste sábado em que a temperatura esteve suportável. Depois disso, e com este ar irrespirável, fechámo-nos em casa os dois e e o dia passou-se entre brincadeiras, borrifos e sestas. Só voltámos a conseguir sair às 18h para visitar a tia, que já está muito melhor e a avó de Coimbra, que tão raramente pode ver o neto tantos dias seguidos. Hoje também vamos começar bem: é dia de piscina com o pai já connosco!

sábado, junho 20

Agarrem aquela mãe



A sério que eu não costumo ser uma pessoa violenta. Sobretudo na estrada. Não sou daquelas pessoas que se irrita com o próximo porque esse próximo geralmente sou eu: a naba. Então desde que nasceu o minúsculo que são uns calores para mudar de faixa, uns calafrios para entrar na auto-estrada ou em qualquer 2ª circular desta cidade, prefiro ir ali sossegadinha na faixa da direita, sem incomodar ninguém, a deixar passar os que entram, faço sempre pisca, olho sempre por cima do ombro para evitar esse mortífero ângulo morto... Quando algum lá fica doente comigo pela quantidade de carros que deixo passar antes de me aventurar a entrar nalguma via rápida ou em qualquer outra situação em que as pessoas são geralmente demasiado afoitas para o meu gosto, e as vejo a barafustarem, peço muitas desculpas e aponto para o ovo do bebé à procura de misericórdia. Nem sempre a consigo é certo, mas adiante.

Ia eu a dizer que não sou violenta na estrada, mas isso não é completamente exato. Se passei a ser uma condutora muito mais cautelosa, passei também a ser um peão muito mais exigente. Já não basta o estado execrável dos passeios, mas sobre esses não posso insultar ninguém diretamente, só posso rabujar, votar melhor para a próxima, e tornar-me uma espécie de atleta de alta competição de trail urbano, seja lá o que isso for. Mas com os energúmenos dos condutores, que não conseguem mostrar um chavelho de respeito pelas pessoas que se lhe apresentam a pé na rua, com esses sim posso soltar toda a raiva temporária que há em mim.

Assim, quando me virem na rua a levantar muito os braços e a agitá-los freneticamente, enquanto ponho dois dedos nos olhos - "não me está a ver?" - e outro na testa - "você é louco?!!!" -, enquanto abano a cabeça com um ar de reprovação do tamanho do mundo, poderá dever-se à minha fúria com a forma de conduzir de alguns cocós com pernas que por aí andam . É que há camiões e veículos de toda a espécie que se dão ao luxo de nos contornar na passadeira, e eu até sou bastante rápida, ou que fingem não nos ver na borda do passeio a tentar atravessar. Mas o mais comum é mesmo estacionarem praticamente em cima da passagem de peões, obrigando-me a ir quase para o meio da estrada, para saber se posso atravessar (tal é a regularidade desta situação em Lisboa que me pergunto se o usucapião não alterou o código da estrada). Aqueles que estacionam em cima do passeio mesmo enquanto estamos a passar também têm direito a brinde da minha parte .

Sei que envergonho muitas vezes quem vai comigo, mas tudo isto é tão frequente que dou por mim a fazer este papel de louca varrida como se estivesse a defender todas as pessoas com as mesmas dificuldades que eu, quer tenham um carrinho de bebé, uma cadeira de rodas, umas muletas, uma bengala, o que seja. Agarrem-me que eu vou-me a eles.