quinta-feira, julho 16

O Henrique anda a ler o blogue


Só pode. Depois de me ter queixado que ele andava impossível e que já não sabia o que fazer, ontem e hoje voltou ao seu estado normal de anjo na terra. De repente come outra vez lindamente, sem birras e sem nos obrigar a manobras de distração ao nível do Cirque du Soleil. Tem dormido sestas até grandes demais, obrigando-me a adiar combinações em honra do repouso de Sua Excelência. E já temos uma cama de viagem herdada que tem servido de parque na perfeição. Ah, até nos deixa dar abraços e beijinhos, que retribui com gritinhos de satisfação delirantes... Estou no céu mas isto das fases das crianças tem qualquer coisa de muito bipolar. Deixem cá ficar esta versão, está bem? Prometemos cuidar atentamente. É que o cansaço assim até sabe a rebuçados.

A mãe dá #1 Uma coroa da BeBunXi



Para comemorar as primeiras 12 mil visitas do blogue, em menos de dois meses, a mãe juntou-se a uma marca amiga para presentear um dos nossos leitores. A BeBunXi é uma marca portuguesa com brinquedos, roupa e acessórios para os nossos pequeninos feitos à mão por uma mãe arquiteta e cheia de bom gosto. Juntas vamos oferecer esta coroa de príncipe ou princesa às bolinhas, que é simplesmente de babar - já estou a imaginar uma sessão fotográfica com ela posta no meu minúsculo, mas esta vai mesmo para vocês!... Para se habilitarem só têm de:

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O passatempo é válido até dia 31 de julho, e o feliz contemplado será escolhido através do random.org e contactado por email.




segunda-feira, julho 13

Coisas que eu faço


Corte Inglés. Um casal, ela grávida, os dois com cara de ponto de interrogação em frente a um monte de cadeiras da papa. Para mim, todas um trambolho, cheias de interstícios para limpar, algumas lindas de morrer, como a da Stokke, mas demasiado caras. Eu que já estive tantas vezes naquela situação em busca da utilidade, do conforto e da segurança ao melhor preço mas com milhares de opções à frente, e com um bebé a salvaguardar-me de parecer uma doida, nem pensei duas vezes: " - Desculpe meter-me mas se estão a pensar comprar uma cadeira da papa, escolham a do IKEA, aquela a menos de 20€ que, além de ser uma pechincha, faz o mesmo que as outras todas e ainda dá para levar de férias. A sério, uma cadeira da papa não é uma espreguiçadeira perfeita, nem uma excelente secretária por isso não acreditem nas que misturam isso tudo". Eles pareceram francamente aliviados. Ainda pediram opiniões sobre espreguiçadeiras. E eu, sem ninguém me ter pago para nada disto ou pedido de opinião, fui à minha vida como se fosse normalíssimo fazer aquele papel de guru da maternidade com desconhecidos (mentira, andava à procura de um parque e bem me teria dado jeito uma mãe experiente por perto).

Henriq(uieto)!


Os dias andam agitados. Há novas movimentações cá em casa. O Henrique de repente começou a gatinhar a toda a velocidade para a frente (já gatinhava, mas só para trás!) e por todo o lado, sobretudo para onde não deve: fichas elétricas (tapar: check!), dvd, box e afins, quer roer as pernas das cadeiras e mesas, bate com a cabeça nas grades da cama por tudo e por nada (as proteções são baixinhas, vamos ter de providenciar melhores). Na hora do nosso banho, a espreguiçadeira, já é para esquecer, vira-se a ele e à cadeira. Andamos por isso em busca de um parque, tipo tábua de salvação, particularmente importante para mim, que estou com ele todo o dia em casa e preciso de fazer coisas prementes como vestir-me, fazer xixi, cozinhar e não posso estar o tempo todo em cima dele a toldar-lhe os movimentos. As investigações estão quase terminadas, por força da urgência. Cá em casa, talvez devido ao cansaço ou à muita vontade de aproveitarmos bem os tempos livres, tendemos a não antecipar muito estas questões e ainda não nos tínhamos dado muito mal. Até agora...

Por outro lado, de há uma semana para cá começou a desafiar-nos, e a sério, com birras de ficar roxo, a bater na colher da sopa e a espalhá-la por todo o lado, a não querer adormecer na hora da sesta, nem no colo, por vezes. Estamos a tentar não deixar passar em branco o assunto para não darmos azo a crises piores. Ler alguma coisa sobre isto mas é tudo tão contraditório - mimos extra vs disciplina.

Para mim, é muito difícil não transparecer que fico zangada naqueles momentos de tensão, canto para fingir que não me está a afetar, tento distraí-lo, resolver o problema de cada birra em particular, mas é inevitável não pensar que em cada gesto o estamos a educar ou a deseducar. As dúvidas são mesmo mais que muitas. No final, por mais desafiantes que sejam os dias, que nem escrever me deixam - ou aproveito as mini sestas para dormir e ganhar forças para as birras seguintes ou começo a escrever e deixo a meio para ir pôr uma chucha ou tentar novamente embalar - não consigo deixar de olhar para ele, deliciar-me com as caras amorosas e dar-lhe ainda mais mimos nos momentos bons, porque não acredito nisso de crianças com excesso de amor. E penso que ele tem tantas outras coisas boas como dormir as noites inteiras desde as nove da noite, e já quase desde o início, que talvez isto seja só uma fase ou que podem ser os dentes a começar a chegar finalmente. Agradeço também ser eu a lidar com isto tudo diretamente e das culpas me poderem ser imputadas, se quiserem ir por aí... Prefiro ser eu a gerir tudo isto durante o dia, e o pai durante o resto do tempo, a eventualmente pensarmos que não estão a tratá-lo bem na creche. Somos os pais com as nossas virtudes e defeitos e estamos a aprender tudo sobre este bebé, tal como ele. Já devem ter reparado que gosto sempre de finais felizes, e de desabafos com conclusões positivas. Às vezes inibo-me até de escrever muito zangada, porque está na minha natureza ver o copo cheio, lutar sempre por dias melhores. Esta é a minha vida e por muitas outras que pudesse ter escolhido é muito fácil chegar à conclusão que esta é a melhor, que tenho tanta sorte e que tudo isto é suado porque é das poucas coisas que merecem realmente mantermo-nos erguidos e unidos. Ainda que às vezes possa parecer, mesmo fisicamente, esgotada e atarefada a resolver a logística toda à nossa volta, trago sempre um par de sorrisos guardados no bolso para estas alturas. E eles sabem como ninguém ir lá buscá-los.

domingo, julho 12

O melhor que fizemos: escolher o Serviço Nacional de Saúde


Quando o Henrique nasceu, a insegurança de vivermos a parentalidade pela primeira vez e o facto de precisarmos de um ninho para garantir que tratavam do nosso filho sem demasiados sobressaltos e desconfortos, fez-nos escolher as consultas de uma pediatra do Hospital da Luz. Parecia-nos a continuação natural do parto, que correu tão bem ali, e como tínhamos uma boa referência dada por amigos, acabámos por fazer lá as consultas dos cinco primeiros meses, todas as vacinas, uma urgência, análises.

Chegou uma altura em que percebemos que ele estava super saudável, ainda não nos tínhamos decidido por nenhum seguro e os gastos começavam a ser incomportáveis - sobretudo pensando que gostaríamos de dar as mesmas coisas a três filhos. Apesar da competência técnica nunca ter sido posta em causa, nunca sentimos uma empatia pessoal com a médica, achávamos as consultas muito curtas para o tempo de espera e ficávamos com a sensação de que ela andava às aranhas sobre o nosso processo, que havia pouco espaço para perguntas e as respostas aos emails/sms em horas de aperto um bocado a despachar.

Fui tentar resolver o nosso problema batendo à porta do centro de saúde da nossa nova área de residência. " - Não há médico de família para ninguém". Era o que temia. "- Mas vá ali abaixo à Unidade de Saúde Familiar USF), pode ser que a possam inscrever". Não fazia a mínima ideia do que tal coisa era, mas cheia de boa vontade lá fui de sorriso arreganhado a dizer que eu, o meu filho e os próximos dois (a fazer charme claramente) precisávamos de um médico. Na altura não percebi se me tinham achado graça a mim, se aos lindos olhos do Henrique, mas inscreveram-me de imediato e hoje sei que são simplesmente ultra competentes. Ainda que as vagas de médicos também não abundem por lá, tivemos a sorte da vida e podemos dizer que a nossa querida USF (um projeto-piloto do Serviço Nacional de Saúde mas com autonomia própria, que complementa os cuidados de saúde primários) é uma das maiores descobertas nos últimos tempos.

Como dizia, o cuidado com o utente começa logo no atendimento simpático e eficaz, na sala de espera pouco ou nada atulhada, porque a marcação e os tempos de consultas são eventualmente geridos a pensar nisso, o espaço é neutro, está bem cuidado dentro de um estilo austero perfeitamente adequado às necessidades, o nosso médico é atencioso, completo e faz questão de conhecer e documentar todo o agregado familiar (estamos os três a ser seguidos lá) e o corpo de enfermagem absolutamente competente e carinhoso. Na prática na Luz esperávamos uma hora para sermos atendidos em 15 minutos, aqui esperamos no máximo 15 minutos para sermos atendidos e, no caso do Henrique, passamos primeiro por uma enfermeira que pesa, mede, dá as indicações sobre alimentação de forma clara e pormenorizada, respondendo a todas as perguntas e dando abertura para outras abordagens trazidas pelos pais, avaliando ainda as questões de desenvolvimento. Passamos ao médico que o passa a pente fino. Não estamos lá menos de uma hora entre as duas coisas, e sem conversas desnecessárias. Talvez nas próximas consultas seja mais rápido porque ele está ótimo e já têm todo o historial. Connosco é tudo muito mais rápido mais igualmente eficaz e as análises também funcionam bem.

Com este acompanhamento do médico de família acabamos por evitar muitas consultas de especialistas (fora as óbvias: dentista, oftalmologista, ginecologista, no meu caso...) e sentimos que estamos permanentemente sob vigilância e com tudo em dia. É claro que se trata de um clínico geral mas, quando não há nenhum problema em particular, não vejo necessidade de fazermos o seguimento dos nosso filhos exclusivamente no pediatra. Ainda não experimentámos as urgências, mas para já estamos fãs. Sentimo-nos a irradiar saúde e mesmo bem tratados, tal e qual aqueles protagonistas sorridentes de fotografias de anúncio - e, por isso, não poderia deixar de trazer aqui as maravilhas desta componente do Serviço Nacional de Saúde.


sexta-feira, julho 10

Já somos mais que as mães


Quando comecei isto de ser uma mãe com blogue, e não blogger, pensei mais em mim e no Henrique, e na falta que nos faz registar estes momentos bons e desafiantes que passamos juntos. Claro que queria ser lida mas via essa parte como um bónus e a verdade é que me entusiasma muito mais escrever não só para nós, ser útil também aos outros. Estou por isso muito feliz por estarem aí a acompanhar-me nestes dias. Nem sempre tenho tempo para tantas ideias, e olhos e cabeça fresca para corrigir tantas gralhas, mas este processo de fazer blogue uma extensão, mais ou menos natural, de mim também é progressivo e também se deseja que a minha vida seja muito mais que virtual, se não teria pouco para contar. Para mim ter um blogue não é uma maratona, mas uma corrida de fundo e quanto mais me mostrar exatamente como sou mais feliz ficarei. Esse descascar da cebola faz-se aos bocadinhos, quer nos posts mais íntimos, quer nas preocupações mais práticas. Acreditem que não são só vocês a descobrir-me, há também aqui uma pessoa muito curiosa por se conhecer a si própria.