terça-feira, julho 7

Interregno para reflexão

A minha sogra querida e eu andamos a apurar as regras do nosso desafio nora/sogra e temos o nosso fumo branco quase a sair pela chaminé, para podermos lançar ao mundo as nossas conclusões. Não é fácil vermos preto no branco as coisas que nos foram difíceis ultrapassar, gera obviamente muitas interrogações sobre o que sentiu e sente de parte a parte, e ganhamos também novo fôlego para todas as dificuldades que ainda temos pela frente, mas só vos digo: tenho uma Senhora sogra corajosa. Casei com um homem bom, ganhei uma família mesmo boa também. E este blogue tem-me saído melhor que terapia familiar.

domingo, julho 5

"Este blogue é sobre os Dias da Mãe, mas também poderia ser sobre os Dias do Pai"



Ontem foi dia de nos encontrarmos com a Sara Marques, uma jovem jornalista da geração escreve-fotografa-filma-edita cheia de vontade de vencer, que precisava de material de trabalho e se lembrou de mim, mãe-a-dias com um blogue recente. Tivemos uma conversa muito simpática e descontraída em que eu, um bocadinho franzida pelo sol e igual a mim mesma num "dia de trabalho", expliquei quem sou, porque escolhi este estilo de vida, se sempre sonhei com a maternidade e de onde partiu a ideia de escrever sobre Os Dias da Mãe. Em breve publico aqui o vídeo para ficarem a conhecer-me um bocadinho melhor.

Quantas atividades cabem em 2h30 de uma manhã de domingo?

07.30 Chora. Salto da cama. Ponho chucha. Lavo as mãos e dignifico-me minimamente. Vou fazer biberon. Tiro da cama e dou abraços e beijinhos de bom dia. Dou biberon. Brinco com ele. Mudo fralda. Tiro pijama sujo e ponho body. Como enquanto brinca. Quer o meu pão e iogurte, dou côdea para roer e um bocadinho do meu iogurte. Tiro loiça da máquina e volto a lavar a que não ficou bem limpa. Ponho loiça suja. Canto. Vou apanhando brinquedos e lavando para voltar a dar. Ponho água a ferver para cozer frango. Distribuo sopa que ainda estava na panela por frascos. Descasco pêssego, pico e ponho em frasco para o almoço. Encho de ar almofada da cadeira da papa que já estava mole. Varro o chão das migalhas que ele fez. Ponho-o na espreguiçadeira a brincar. Tomo banho, maquilho-me e visto-me. Sento-o no chão a brincar. Descoso e coso novamente botões das jardineiras para ficarem maiores. Chora porque deu com um boneco na cara. Consolo. Volto a mudar a fralda. Ponho-o na cama para descansar um bocadinho, já está rabugento de sono. Desosso o frango e ponho a arrefecer. Faço máquina de roupa. Volto ao quarto várias vezes para pôr a chucha. Não dorme mas está podre. Chora. Embalo uma vez. O meu menino é d'oiro, é d'oiro o meu menino. Ponho no berço. Chora. Volto a embalar. Ponho na cama. Dorme. Escrevo um post e descanso por uns minutos.

Este post é um exercício sobre mim só por acaso. Não quero com ele vangloriar-me do que faço ou do que deixo de fazer. O pai acordou três vezes durante a noite e eu não, por isso não entrou nestas atividades matinais. Tenho a certeza que cabem muito mais tarefas na agenda de pais de dois, três, quatro, cinco ou mais filhos. Desejo-vos um dia tão feliz como o nosso.


sábado, julho 4

A minha mãe é mais textos



Eu bem peço que me tirem fotografias com ele, mas não é fácil consegui-las. Somos mais de viver do que de registar por aqui. São tão poucas que isso me entristece um bocadinho porque adoro ver as fotografias que tenho com a minha mãe . Vou continuar a batalhar por momentos destes, que isso das selfies não é bem a mesma coisa...

sexta-feira, julho 3

Irritações

Semana de exaustão, rotinas de descanso nem sempre cumpridas, muitas birras pelo meio, adaptação a uma nova fase do Henrique mais mexediça, com agenda pontuada por vários programas óptimos mas intensos. Nada de novo, a vida não é perfeita para ninguém mas não precisamos de nos conformar com isso ou de falar só das coisas boas. O que me chateia é nem sempre sentir que me posso queixar como qualquer pessoa que trabalha e chega a sexta-feira exausta, a maldizer o patrão e a precisar de um copo, sem que venham questionar a minha escolha de ficar em casa e de ter filhos. (Prefiro mil vezes este cansaço e não preciso de andar sempre a repetir que esta é a vida que escolhi e que não a trocava por nada neste preciso momento.) 

Nada que um bom copo de vinho branco, peixe fresquissimo grelhado e morangos aromáticos, comprados no mercado esta manhã, e uns quadradinhos de chocolate, a dois, não tenham resolvido.  

quinta-feira, julho 2

Oito


Eu podia gostar de ti para sempre sem que me desses nadinha em troca. Os primeiros meses, só os três, foram um bocadinho duros com todas aquelas cólicas do demónio, alguma dificuldade em adormecer-te e, apesar de te teres tornado um santo bebé que dorme noites quase inteirinhas e come tudo o que lhe puserem à frente, lá vais fazendo a tua birrinha diária de demarcação de território. Estamos cá para te mostrar quem manda ainda durante uns bons anos, para cuidar de ti e para te amar. Quiseste primeiro retribuir-nos com um sorriso, depois gargalhaste connosco, comes as nossas bochechas com baba, já pões os bracinhos à volta do nosso pescoço e este mês deste-me a mim o maior presente de todos: gritaste mamã, não uma mas muitas vezes. O que é que eu poderia querer mais? Nadinha de nada.

Mas não, além disso, ainda passaste a mostrar a toda a gente que me queres a mim, à tua mãezinha. Estendes-me os braços quando estás farto do mundo, choras desalmadamente, como se fosse emigrar, quando saio do teu quarto, nunca apreciaste tanto adormecer no meu colo como agora, deliras que vá no carro a dar-te a mão e a fazer-te festinhas e ficas louco quando te dou beijinhos nos sinais vermelhos. Já estás maior mas afinal parece que até gostas de ser pequenino outra vez, que gostas de ser o menino dos papás. Para mim, foi o melhor mês de sempre (não tinha sido o anterior afinal?), a consagração. E podia parar por aqui mas aconteceram muito mais coisas:

...Já gatinhas, mas só para trás! Adoras enfiar-te debaixo de cadeiras, mesas... chegas onde queres a rebolar, mas para a frente ficas ali indeciso a abanar-te, sem saber pôr um joelho à frente do outro. Parece que vais arrancar a todo o momento, falta só um bocadinho para perceberes melhor essa dinâmica.

...Começaste a dizer adeus com a mão e pareces felicíssimo com a proeza.

...Deixaste de ter medo da guitarra do papá e passámos a incluí-la nas nossas brincadeiras, adoras dedilhar e bater na madeira.

...As idas à piscina inundaram os nossos domingos de manhã de felicidade (pena que pare no verão mas iremos de férias para a praia em breve para te exercitares). O pai regalou-se a chapinhar contigo no meio dos outros pais e bebés, foi maravilhoso ver-vos ganhar essa confiança um no outro. Também experimentei uma vez e adorei todo o teu à vontade na água, não tens medo nenhum.

...Aproveitando a deixa ele passou a dar-te duche de manhã, para aproveitarem todos os minutos que ele tem contigo em casa. Gosto do à vontade que já ganharam os dois nesta tarefa de perícia.

...Agora já não estranhas nenhum dos teus avós ou tias, chegas e arrasas os corações todos com os teus arrulhos de pombo e turras. Ninguém aguenta tamanha paixão de bebé.

Estás um menino às direitas. Se soubesse o quanto era bom ter filhos, já teria começado há mais tempo, mas depois penso que, se assim fosse, provavelmente não existirias tu e por isso está tudo muito bem assim contigo, neste tempo tão certo que é o teu e o nosso.

terça-feira, junho 30

Uma família do tipo "Amo-te"


Para quem cresceu tão tímida na verbalização e concretização dos afetos como eu, que demorei anos a conseguir aprender a dar aquele abraço forte sem constrangimentos, há poucas coisas tão íntimas como dizer "Amo-te". É esse tipo de família que partilha sentimentos que quero, sem constrangimentos na linguagem dos afetos mas sem cair em banalidades. Não saberia construir este edifício sem o meu cúmplice maior.