terça-feira, outubro 13
Onze
Onze meses de ti e continuas a bater recordes no número de sorrisos que me despertas todos os dias. Chego ao fim do dia rota de brincar contigo, de gatinhar atrás de ti e às vezes de cabeça perdida de ter de te dar a volta quando me resistes mas, assim de repente, não há nada que me pareça demasiado dramático se tu estiveres bem e feliz. E a vida tem sido generosa connosco, continuamos a passar os dias inteirinhos juntos e a divertir-nos à brava. Todos os dias o pai e eu ficamos simplesmente felizes de acordar porque tu estás lá com aquele sorriso e, apesar de já fazeres completamente parte da nossa vida há meses, ainda olhamos muitas vezes um para o outro surpreendidos a perguntar-nos como é que nos foi acontecer assim uma coisa tão boa.
Vá, mãe. Deixa-te dessas coisas, vais tu dizer-me...
Bom, queria apenas que soubesses um dia que este mês ganhaste mais dois dentes, mais um baixo e um em cima - já tens três e sem noites mal dormidas, apenas algumas birras de irritação com o incómodo. Passas a vida a explorar estas novas pedrinhas que tens na boca com a língua da fazer estalinhos.
E, apesar de ainda não dizeres mais nada senão ma-ma-ma-ma, estás cada vez mais comunicativo. Consegues perceber quando te peço para me dares alguma coisa - dás-me comida à boca, o que é bastante adorável -, entendes quando te digo para me penteares e passas o teu pente assim à superfície dos meus cabelos com a maior satisfação do mundo, apontas para a banana e para o cão de peluche quando te pergunto onde está... um rol de coisas simples que nos deixam boquiabertos quando acontecem. Ficas muito muito satisfeito quando és compreendido.
Outra das tuas proezas é segurares as tuas bolas com apenas uma mão, com ela assim estendida e a bola apenas equilibrada nos teus dedinhos pequeninos. Ficas radiante quando consegues fazê-lo. Estás a aprender a atirar a bola à mãe, qualquer dia já conseguimos jogar em família.
Tens vindo também a desenvolver uma paixão especial pelos animais. Ficas louco de felicidade quando vês cães, gatos, patos, pombos... acho que vais conseguir dar-me a volta e ensinar-me a perder os meus medos com alguns deles. Afinal também vieste para nos ensinar tantas coisas felizes...
sábado, outubro 3
Cadeiras para o carro: dúvidas e mais dúvidas
As viagens de carro têm sido bastante difíceis, sobretudo quando vamos os três e ele fica sentado lá atrás, ainda no ovo, virado para o banco, em sentido contrário à marcha. Chora imenso e só se cala quando pomos músicas infantis ou quando eu mudo para trás e faço trinta por uma linha para entretê-lo. Está quase a deixar de caber nele, e talvez por isso o desconforto.
Tenho andado a fazer muitas perguntas nas lojas e aos amigos para comprarmos a nova cadeira do carro. O problema é que as respostas e as teorias que obtenho divergem: há os que acham que se deve continuar com uma cadeira virada para trás porque, quanto mais tempo ficarem nessa posição, mais seguro será em caso de acidente. E outros que passam automaticamente para as outras cadeiras já viradas para a frente, o que eu acho bem mais interessante para eles verem o caminho e se entreterem mais. Pelo que percebi, a primeira opção obriga a comprar duas cadeiras (grupo 1 e 2/3) e a segunda apenas uma (grupo 1/2/3), ainda que numa primeira fase com um redutor, caso escolhamos uma que o tenha, caso contrário fica a nadar. Em termos de segurança, não percebo como é que uma solução é melhor que outra se ambas as cadeiras são homologadas e seguem as regas de segurança definidas pela União Europeia. A verdade é que os nossos amigos mais próximos optaram por esta última solução de ter apenas uma cadeira e eu fico aqui entalada entre argumentos... Se optar por uma 1/2/3 estou inclinada para esta Be Cool Thunder, que vi na Prénatal e me parece equilibrada entre conforto, preço e qualidade.
Tenho andado a fazer muitas perguntas nas lojas e aos amigos para comprarmos a nova cadeira do carro. O problema é que as respostas e as teorias que obtenho divergem: há os que acham que se deve continuar com uma cadeira virada para trás porque, quanto mais tempo ficarem nessa posição, mais seguro será em caso de acidente. E outros que passam automaticamente para as outras cadeiras já viradas para a frente, o que eu acho bem mais interessante para eles verem o caminho e se entreterem mais. Pelo que percebi, a primeira opção obriga a comprar duas cadeiras (grupo 1 e 2/3) e a segunda apenas uma (grupo 1/2/3), ainda que numa primeira fase com um redutor, caso escolhamos uma que o tenha, caso contrário fica a nadar. Em termos de segurança, não percebo como é que uma solução é melhor que outra se ambas as cadeiras são homologadas e seguem as regas de segurança definidas pela União Europeia. A verdade é que os nossos amigos mais próximos optaram por esta última solução de ter apenas uma cadeira e eu fico aqui entalada entre argumentos... Se optar por uma 1/2/3 estou inclinada para esta Be Cool Thunder, que vi na Prénatal e me parece equilibrada entre conforto, preço e qualidade.
sexta-feira, outubro 2
Sapatos: até quando vais resistir pequeno Mogli?
Não há nada mais querido que os pés de um bebé. De inverno dão vontade de morder, mesmo através dos collants, e de verão é a loucura total. O Henrique ainda para mais é um acrobata e anda sempre de pernas no ar a morder os pés. Nunca achei, por isso, muita graça a sapatos decorativos, e o Henrique andou, até aqui, com os pés à solta - descalço ou de meias antiderrapantes.
Desde que começou a gatinhar e a pôr-se em pé, comecei a pensar que talvez uns sapatos lhe endireitassem os calcanhares, que ele tanto dobra e que lhe dificultam a tarefa de andar. A inércia e as teorias de que não há nada como o próprio pé encontrar o seu equilíbrio venceram durante uns tempos mas, agora que começa a ficar frio e que nos emprestaram uns sapatos de primeiros passos da Chicco, gostava de conseguir pôr-lhos. Conseguir, sim, o verbo é mesmo esse porque a tarefa não tem sido fácil. Tem medo dos sapatos, encaracola o pé todo e ao fim de muitas lágrimas dele e suor nosso, é sabido quem vence a batalha. Por mais ajudantes, bonecos que lhe ponhamos à frente, nada feito. Até quando vou ter um pequeno Mogli descalço?
Uma amiga ofereceu-se para ajudar e vamos experimentar uns Bobux com submarinos amarelos e mais moles, tipo segunda pele, que fizeram as maravilhas do bebé dela. A minha expectativa é que lhes ache graça e que não se sinta tão apertado. Se não funcionar, e porque já ando a sonhar com eles há bastante tempo, acho que lhe (me) ofereço uns Moleke de franjinhas nos anos... Aí, se não gostar deles, choro eu.
Desde que começou a gatinhar e a pôr-se em pé, comecei a pensar que talvez uns sapatos lhe endireitassem os calcanhares, que ele tanto dobra e que lhe dificultam a tarefa de andar. A inércia e as teorias de que não há nada como o próprio pé encontrar o seu equilíbrio venceram durante uns tempos mas, agora que começa a ficar frio e que nos emprestaram uns sapatos de primeiros passos da Chicco, gostava de conseguir pôr-lhos. Conseguir, sim, o verbo é mesmo esse porque a tarefa não tem sido fácil. Tem medo dos sapatos, encaracola o pé todo e ao fim de muitas lágrimas dele e suor nosso, é sabido quem vence a batalha. Por mais ajudantes, bonecos que lhe ponhamos à frente, nada feito. Até quando vou ter um pequeno Mogli descalço?
Uma amiga ofereceu-se para ajudar e vamos experimentar uns Bobux com submarinos amarelos e mais moles, tipo segunda pele, que fizeram as maravilhas do bebé dela. A minha expectativa é que lhes ache graça e que não se sinta tão apertado. Se não funcionar, e porque já ando a sonhar com eles há bastante tempo, acho que lhe (me) ofereço uns Moleke de franjinhas nos anos... Aí, se não gostar deles, choro eu.
segunda-feira, setembro 21
Dez
Este mês não foi mesmo nada aborrecido porque nos surpreendeste, como sempre, com uma data de coisas novas. A que mais me surpreendeu foi quereres começar a comer sozinho. Pegas na colher com convicção, aceitas a custo a nossa ajuda para ir buscar alguma coisa ao prato e depois consegues quase perfeitamente levá-la à boca. Nem sempre leva tudo o que estava previsto e cai metade pelo caminho, mas a tua desenvoltura surpreende-nos. Ainda temos muitos progressos para fazer neste campo - e menos sujidade à volta - mas temos anos de treino pela frente, meu amor.
Outra coisa importante deste mês foi teres aprendido a cair melhor. Sim, a cair, porque, como ainda não andas mas gatinhas velozmente agarrando-te a tudo a que podes, esta é uma garantia de que não temos de andar mesmo atrás de ti com medo que te magoes. Posso simplesmente ficar sentada numa ponta do quarto a ver-te trepar e a cair em cima da fralda sem grandes danos. É verdade que preferíamos que não batesses tantas vezes de forma mais ou menos suave aqui ou acolá, mas a verdade é que te esqueces em 30 segundos e vais à tua vida.
Mesmo no final do mês, o avô Zé viu-te fazer uma mastigação diferente com a boca e adivinhou que vinham lá dentes. Desta vez, ganhou mesmo a aposta que fizemos e começou a brotar da gengiva um dentinho adorável que dá toda uma nova melodia às tuas dentadinhas na bolacha Maria, e algumas birras justificadas pelo incómodo.
O pai diz que estás muito menino da mamã e como eu gosto disso! O que mais quero dar-te é autonomia com responsabilidade mas também com amor. Saber que encontras no meu colo o conforto que precisas deixa-me no céu. E não é só comigo que estás mais miminho, também com o pai, com os avós e com as tias. Contrariando a tua tendência para fugir às montanhas de abraços e beijinhos que te damos, agora és tu que pareces gostar de vir ronronar um bocadinho junto a nós. Nem que seja por 3 segundos pousas a cabeça no nosso colo ou ombro e ficas ali a gozar um bocadinho aquele recosto. Estamos com esperança que melhores esse tempo para podermos gozar esses teus mimos de outra forma...
E por fim... estás um palrador nato! Às vezes lá tentamos descortinar algo parecido com uma palavra na tua "conversa" mas só pelo tom conseguimos perceber se estás a dar gritinhos de felicidade, se estás a ralhar ou se estás simplesmente a meter conversa connosco. Bastante engraçada essa tua linguagem...
Ah, e ainda bates palminhas e dás "bacalhaus"...
Eu não disse que era muita coisa? Continuas um bebé perfeitamente adorável e como eu gosto de viver cada um dos teus dias de tão perto...!
segunda-feira, setembro 7
Corridas em pausa
Porquê correr e não fazer outro exercício menos violento? Primeiro, detesto tudo o que meta músicas alta e coreografias, por mais simples que sejam. Sou a pessoa menos coordenada que conheço para esse género de coisas. Esqueçam, que não tento mais, já o fiz demasiadas vezes e fico sempre demasiado envergonhada para tirar proveito das aulas. Segundo, correr não tem horários, posso acordar às 06h e aproveitar que o pai ainda está em casa para ficar com ele ou sair depois do jantar, não dependo de horários de ginásios. Terceiro, é o único desporto que eu sinto que tem efeito no meu metabolismo por ser mais agressivo e que, simultaneamente, me faz sentir bem por se tratar de um desafio pessoal. LGosto da ideia de me vencer a mim própria e de ser eu a gerir os treinos. A única coisa que é melhor que correr sozinha, é correr com o Paulo, o marido querido, mas eu sei que ele corre bem mais que eu e que são dias excepcionais que me são mais dedicados a mim, que a ele. Claro que gostaria de ter alguém que se dedicasse a mim e me obrigasse a mexer ainda mais do que apenas as corridas, mas antes de perder algum peso acho que não vale a pena estar a trabalhar localizadamente o corpo.
Dentro dos sonhos dele
Naqueles dias, sobretudo de fim-de semana, muito intensos e cheios de atividades em que regressamos a casa já em cima da hora do jantar, e ele adormece no carro, não temos muitas vezes coragem para acordá-lo. A ideia de o arrancar abruptamente do sono quentinho para enfiá-lo no banho e dar-lhe de jantar, só para cumprir rotina, não nos convence. Se está ferrado tiramos só as peças de roupa menos confortáveis e deixamo-lo dormir na caminha. Ele está óptimo de peso e não haveria mal em não lhe dar jantar, mas quando não acorda, antes de eu ir para a cama não consigo deixar de lhe dar um biberon de leite para ter a certeza que fica mais aconchegado. A primeira vez que o fiz morri de medo que ele ficasse acordadíssimo e depois já não pegasse no sono, mas nada disso. Dou-lhe umas festinhas, falo baixinho com ele e pego-lhe. Aninhado em mim na poltrona do quarto dou-lhe o leite meio a dormir, meio acordado. Ele fica sempre de olhos fechados mas a beber com convicção. No fim levanto-me com ele encostado ao meu ombro para arrotar e ele mantém-se ali aninhado deliciosamente. São daqueles momentos que quero recordar para sempre de tão ternos. A ideia de poder aconchegá-lo assim, quase dentro dos sonhos, é tão mágica... Da primeira vez até chorei com tamanha beleza. Sendo ele agora mais crescido e mais mexediço, poder novamente tê-lo assim nos braços, de forma a contemplá-lo com serenidade, a servi-lo neste miminho, é quase como se regressasse por instantes ao estado de recém-nascido.
sexta-feira, setembro 4
Chamou-lhe um figo
Como já escrevi aqui antes, tentamos diversificar tanto quanto podemos, dentro dos limites das regras dadas pelo médico de família (que diz para evitar citrinos e frutos vermelhos até aos 12 meses, por exemplo), a alimentação do nosso bebé. Isso significa que não ficamos apenas pelas frutas mais básicos como a maçã, a banana ou a pêra. Gostamos sobretudo de experimentar todas as frutas da época, porque dizem que a natureza nos oferece aquilo de que precisamos, na época em que precisamos. Por outro lado, como é hábito lá em casa, só compramos o que é nacional e tentamos fazê-lo o mais possível no mercado onde as frutas e legumes, que vêm muitas vezes de produções mais pequenas, têm também mais sabor.
Esta semana a nossa vizinha trouxe-nos uma tigela cheia de figos maduros e doces caseiros e pensei logo em dar-lhe. Achei que a textura talvez fosse difícil de aceitar à primeira e decidi juntar dois ou três aos iogurtes naturais da tarde. Foi um sucesso! Adorou e, até para nós, é uma sobremesa deliciosa! Fica a sugestão.
quinta-feira, setembro 3
Mãe a tempo inteiro: regra de sobrevivência #1 - agarrar as manhãs e planear os dias
Outra coisa que é importante é, por isso, planear as atividades do dia seguinte, de preferência na noite anterior. Sem grandes elaborações, equilibrar a semana entre programas que sejam dedicados às crianças e a nós - os nossos variam no bairro e em jardins, visitas à família e amigos, programas especiais como a Quinta Pedagógica ou o IKEA, com os quais ele delira, mas também atividades essenciais como tarefas domésticas, compras no supermercado e no mercado, tratar de assuntos burocráticos, fazer alguma compra necessária... Ele entretém-se imenso a olhar para tudo, mesmo nestas andanças e toda a gente se mete com ele, o que também é excelente para a socialização.
Nos dias em que não conseguimos arranjar nada de especial para fazer fora de casa, é preciso ter algum espírito criativo para criar atividades que lhe despertem interesse. Além dos brinquedos dele, pequenas coisas como caixas para batucar, chaves para fazer barulho, papéis para rasgar, tecidos para fazer tendas e esconde-esconde, colheres e molas da roupa para roer ou água no bidé para chapinhar são coisas simples que fazem as maravilhas dele. Até papel higiénico experimentámos ontem desenrolar! Também ouvimos músicas para crianças no Spotify (os cd's da Carochinha sobretudo), que tento aprender para cantar para ele, conto-lhe histórias com muitos gestos e voz teatral. Tento deixá-lo brincar sozinho, para que saiba entreter-se, mas despertar-lhe o interesse em novas coisas com que possa fazê-lo. Entre brincadeiras, refeições e soninhos, o dia passa mesmo muito rápido. Chegamos os dois estafados às 20h, hora de chegar o pai, do jantar e da caminha para ele.
quinta-feira, agosto 27
Dormir juntinho a ele, um desejo impossível
Nas noites em que ficamos só os dois em casa, o mini e eu, fico com uma vontade louca de o trazer para o pé de mim e de dormir com ele. Ter aquela coisa boa, com cheirinho a bebé do banho recém tomado, a respirar tão suavemente ao meu lado é uma verdadeira guloseima. Quando era mais bebé, chegámos a dormir assim com ele nas manhãs de fim-de-semana e era uma verdadeira delícia. Na verdade acho que não dormia, ficava só a apreciar a nossa obra de arte...
Nesta fase mexediça em que está seria, infelizmente, demasiado perigoso. Agora não conseguiria mesmo dormir sossegada com medo que ele caísse da cama, mas fico completamente derretida a vê-lo dormir no berço nas suas posições estapafúrdias e a sonhar com o dia em que possa cumprir esse desejo, só uma vez de vez quando como me lembro de fazer com a minha avó... Memórias tão doces essas de expulsar o meu avô (dizia na minha inocência que "os avós já não namoravam por isso não precisavam de dormir sempre juntos!" - o riso da família materna toda, ainda hoje) e de adormecer com a história do coelhinho das couves. Não importava que fosse a mesma, o sabor de adormecer assim embalada pelas palavras e pela sua voz é inesquecível.
Não
terça-feira, agosto 25
Amour
Esta semana não nos apetecia ver nenhuma americanice, e conseguimos ver finalmente o Amour do Michael Haneke. Para quem não viu, o filme retrata a degradação do membro feminino de um casal e a dedicação do marido até ao derradeiro fim. A história tem tudo para ser de chorar de uma ponta à outra, mas a beleza do relacionamento entre os dois na dignidade com que mantêm velhas rotinas, na forma como preservam algum pudor, nos interesses como a música que preservam e os animam, mesmo durante a doença dela, tornam o filme tão natural que acaba por ser um murro no estômago a seco, sem lágrimas. Pouco conversámos sobre o filme, mantivemo-nos acordados e presos à televisão nos momentos mais silenciosos e difíceis e sinto que fomos dormir aconchegados por nos termos também um ao outro. Muito temos para caminhar até lá mas acho que estamos no bom caminho.
Dilemas de mãe #6
sábado, agosto 22
Vício bom
Naquela cara irresistível de estranheza/surpresa que ele faz quando experimenta algo novo. Tento que isso aconteça de 3 em 3 dias (o prazo mínimo para testar se um bebé é alérgico a um novo alimento). Quando não é um novo alimento é a forma como o apresento. Não gosta de melão triturado, por exemplo, mas adora roer um bocado maior que lhe foi com a mão. Nem tampouco de uvas à colher, gosta que lhe parta aos pedacinhos e que lhe vá dando também entre os meus dedos à boca dele. Os olhinhos dele brilham de felicidade de poder provar o que me vê a comer. O prazer da (boa) comida aprende-se de pequenino e a educação também passa por aqui.
quarta-feira, agosto 19
De mãe para mãe grávida
Gosto de saborear cada fase e mesmo de aprender mesmo com aquelas que não quero lembrar mas ontem, depois de ter estado com uma amiga que está à espera de bebé e que tem as mesmíssimas dúvidas que eu tinha há um ano atrás, fiquei sem vontade nenhuma de estar a viver aqueles momentos de ansiedade agarrada a listas de maternidade, a ter pesadelos com o parto, sem saber exatamente se ia ser capaz de ser mãe. Claro que vou passar por muito disto outra vez quando estiver grávida novamente, e que ainda estou a descobrir tudo sobre ser mãe, mas já não será a mesma coisa nesta espera, já não terei tantas dúvidas como da primeira vez.
O que mais gostava de emprestar a esta amiga, além de roupinhas bonitas e afins, era a certeza que este grande amor nos dá ferramentas mais que suficientes para enfrentar qualquer logística. O que é bom, nesta perspetiva de quem já passou por essa fase, é que afinal não teríamos precisado de ir à loja Y para comprar uma touca XPTO para a maternidade, ou duas "porque eles pedem", de comprar horríveis cuecas descartáveis para a maternidade porque as de algodão dão perfeitamente, de comprar muitos folhinhos, porque o que interessa é mesmo ter os básicos todos à mão, sem floreados, para aproveitar aquela maravilha que de repente nos cai no colo. Também não são precisas fraldas de marca durante meses a fio (as de marca branca até têm menos químicos e fazem exatamente o mesmo), cadeiras da papa que só servem aos 6 meses, pinturas no quarto de que ele só vai usufruir realmente muito depois, cortinados e afins, mas eu sei que queremos dar o melhor ao nosso bebé e que toda esta correria de tratar, comprar tudo quase até ao promeiro ano de idade, pintar, arrumar e até polir rodapés (eu!) ajuda a acalmar os nervos e faz o tempo andar mais depressa.
Corro o risco de querer ser prática demais, mas das poucas coisas que eu sei que posso verdadeiramente fazer por ela, depois da experiência demasiado intensa de visitas que tive em casa, é ser prestável e invisível. Já a alertei que só irei vê-la quando me pedir expressamente e irei munida de comida para ela e para o pai, além de tudo o que me pedirem. Sei que vou olhar para ela, antes mesmo de ver o bebé, e dizer-lhe que vai ser uma grande mãe e que já está a dar lindamente conta do recado. Não farei sala e tentarei não sair sem pôr a roupa a lavar e dar um jeito na cozinha. Depois dos empréstimos, que tanto jeito dão, tenho a certeza que na maior amizade está também o espaço que se dá aos pais quando nasce um filho. A experiência afinal conta mesmo para alguma coisa.
A fotografia é literalmente de há um ano atrás ;)
Querido, quero mudar a casa toda
As férias foram tão boas que me deram imensa energia para arrumar a vida. O facto de saber que, quando começarem os dias mais frios e chuvosos vou perder alguma mobilidade, também me incentiva a querer organizar imensa coisa que envolve andar a fazer voltinhas de carro para aqui e acolá.
Além das corridas que andamos a fazer, separados infelizmente, para alguém ficar com o Henrique, andamos a tratar de imensa coisa cá em casa. Na lista de prioridades está a revisão e alguns arranjos estéticos ao meu Smart, que queremos vender por motivos óbvios, mas também comprar uma cama nova para nós, porque precisamos de melhorar a qualidade do nosso sono e pensar um bocadinho mais no nosso conforto que tem ficado sempre relegado para segundo plano, e ainda uma estante mais segura para a sala para substituir a nossa linda da Altamira (na fotografia), que era dos meus avós mas que, infelizmente, é um verdadeiro perigo para o mini. Queremos também calafetar as portas da rua, para não termos outra conta de eletricidade de 650€ no final do próximo inverno, pendurar uma série de quadros, voltar a organizar o quarto do Henrique para o tornar mais apropriado a um bebé quase andante e tenho também estado a organizar as roupas todas dele e uma série de coisas que quero emprestar a uma das minhas melhores amigas que está grávida. Pelo meio, ainda andamos a pôr as nossas consultas médicas de rotina em dia.
Há tanto para organizar, medir, refletir e tantas contas para fazer no meio disto tudo... mas, na verdade, não estou minimamente cansada destas tarefas! Adoro que estejamos os dois sintonizados no bem-estar da nossa família. Acho que é meio caminho andado para o trabalho dele correr melhor, porque quando chega a casa consegue desligar mais, e o Henriquinho também não precisa de se sentir sempre o centro das atenções. Ao contrário do que se possa pensar, acho que eles gostam muito de nos acompanhar nas atividades de crescidos e de não estarmos sempre em cima deles. E o IKEA, por exemplo, é um belo salão de jogos... demos por nós a dançar com ele na zona dos colchões, e ele fica interessadíssimo a ver todas aquelas coisas novas. Fiquei cheia de vontade de voltar lá, sobretudo num dia de mau tempo, para ficar a brincar com ele na zona dos miúdos, onde há brinquedos diferentes dos de casa, tendas, quartos coloridos... Que felicidade poder focar-me nesta alegria do dia-a-dia, nas coisas simples.
Há tanto para organizar, medir, refletir e tantas contas para fazer no meio disto tudo... mas, na verdade, não estou minimamente cansada destas tarefas! Adoro que estejamos os dois sintonizados no bem-estar da nossa família. Acho que é meio caminho andado para o trabalho dele correr melhor, porque quando chega a casa consegue desligar mais, e o Henriquinho também não precisa de se sentir sempre o centro das atenções. Ao contrário do que se possa pensar, acho que eles gostam muito de nos acompanhar nas atividades de crescidos e de não estarmos sempre em cima deles. E o IKEA, por exemplo, é um belo salão de jogos... demos por nós a dançar com ele na zona dos colchões, e ele fica interessadíssimo a ver todas aquelas coisas novas. Fiquei cheia de vontade de voltar lá, sobretudo num dia de mau tempo, para ficar a brincar com ele na zona dos miúdos, onde há brinquedos diferentes dos de casa, tendas, quartos coloridos... Que felicidade poder focar-me nesta alegria do dia-a-dia, nas coisas simples.
terça-feira, agosto 18
Dentes ou mau feitio?
O Henrique sempre adormeceu no carro, como a maioria dos bebés, e continua a fazê-lo em pequenos percursos, mas nas viagens grandes tem estado impossível. Não adianta eu ir atrás, nem cantarmos todas as músicas que conhecemos, nem ter os brinquedos preferidos perto dele. A última viagem de Coimbra para Lisboa foi tão má, chorava como se lhe estivéssemos a bater, que achámos que só podiam ser dentes. Corremos para a farmácia a comprar um calmante para as gengivas - o Camillia da Boiron - que, na altura, pareceu funcionar. No dia seguinte nada de birras e pensámos logo - bolas, não são dentes, era mesmo uma sacana de uma birra monumental!
Tem repetido a "brincadeira" para mudar a fralda e às vezes para comer. Nuns dias um bem disposto, noutros um pequeno terrotista, mas sempre bonzinho, como diz o meu pai. E nós concordamos, claro, preferimos mesmo acreditar que estas manifestações barulhentas são a chegada do primeiro dente, algo que para mim começa a ser tão misterioso como as cólicas iniciais.
Na verdade, acho que ninguém quer assumir que os bebés também têm mau feitio, stress e sono, muito sono. Há sempre ali um álibi pseudo-científico para os salvar.
sexta-feira, agosto 14
Este miúdo mata-me de amor
Há as birras e há a maior parte dos momentos que são técnicos, em que a felicidade está lá mas não precisamos sempre de estar sempre a pensar nisso para nos sentirmos especiais e sortudos. E depois há aqueles momentos que não dá para descrever porque parecem tontos de simples, mas que são mesmo incríveis no coração de uma mãe.
Quando está bem disposto depois de comer costumo ficar ali um bocadinho de roda dele na cadeira da papa a brincar até sentir que está pronto para a sesta ou para a noite. Hoje pus a cabeça em cima do tabuleiro para ele me mimar, o que equivale a deixá-lo puxar-me os cabelos, o nariz e tudo o mais, e ele ria-se que nem um perdido de ter ali a sua mamã em vez do prato da sopa. Depois quis o pacote de toalhitas que estava em cima da bancada. Comecei a fazer "cucu, onde está a mamã" e em vez de precisar de me esconder foi ele com o pacote a esconder-me a cara várias vezes. Estávamos os dois tão felizes que só nos ríamos da felicidade de podermos comunicar com algo tão simples. Ele sabia que eu estava a percebê-lo e estava radiante com isso. É tão bom dar-lhe os meus dias, poder estar em casa para presenciar estes momentos. Ainda que os dias não sejam leves - ser mãe é verdadeiramente trabalhar a tempo inteiro - não me canso desta decisão.
quinta-feira, agosto 13
Voltar a casa
Depois de uns dias em Coimbra com os sogros e a minha irmã mais nova, entre mimos ao Henrique e petiscos divinais, que me dão um bom descanso da cozinha, regressámos a casa. Já não temos mãos e braços extra ou a piscina para chapinhar, mas temos as nossas coisas, os brinquedos todos e as rotinas também acabam por ser reconfortantes.
É tempo de arrumar as mil roupas do mini que já não servem, organizar a casa e de voltar aos jantares bons a dois e aos minutos preciosos no sofá com o silêncio e a televisão que nos apetecer. Voltámos também ao jardim e aos passeios tranquilos no bairro. Agosto é uma delícia na cidade, é tudo tão mais calmo...
A coragem do recomeço deu-me energia para voltar a correr. Hoje ainda foi só o primeiro dia, a ideia é tentar mexer-me pelo menos três vezes por semana. Para já, estou a seguir um plano para iniciados em que vou intercalando a marcha com a corrida. Estive 18 meses sem fazer qualquer tipo de desporto - 9 meses de gravidez e 9 meses de Henrique - e não quero abusar, para além de sentir que estou mesmo pesada. As férias também não ajudam nada... Já estou com aquela sensação terrível de barriga quando me sento e, por isso, tinha mesmo de fazer alguma coisa. Gostava de perder pelo menos 5 kg e, como estamos a pensar noutro filho para breve, e não quero perder a mobilidade que o Henriquinho e a saúde exigem, é mesmo importante fazer este esforço agora. Haja coragem para me levantar às 7h. O lado bom é que é tempo que me estou a obrigar a ter para mim, uma das minhas resoluções de férias.
terça-feira, agosto 11
E as férias (dos outros) continuam
O verão tem sido generoso connosco. Estar em casa com o Henrique nesta altura do ano é muito menos monótono porque aproveitamos as férias dos avós, tias, primos e estamos muito mais acompanhados. Nos últimos dias fomos visitar os meus avós e ele foi mimado por toda a família, enquanto eu também matava saudades deles e da casa dos meus verões da infância. Aos fins-de-semana tentamos estar mais os três e com a família mais próxima e é raro poder estar assim. Não há nada como dormir em casa dos meus avós, sermos muitos a tomar o pequeno-almoço, beber o café fraquinho e delicioso da minha avó e comer aquelas torradas de pão a sério com manteiga, como quando tinha 10 anos. Fazer tudo isto com o Henrique é muito mais intenso, tenho menos tempo útil para conversar e para sentir verdadeiramente o descanso que dantes sentia só por estar no campo e haver pouco para fazer, mas também é reconfortante partilhar o nosso bebé e ver como todos se alegram à volta do primeiro bisneto.
Cada vez me sinto menos parte dos netos e mais integrada junto dos adultos. Não que isso não acontecesse já há uns bons anos, sobretudo desde que trabalho (há mais ou menos 10 anos) mas parece que, quanto mais passo pelas provas mais duras da vida - e ter um filho é sem dúvida a experiência mais desafiante que vivi até hoje - mais confiante e crescida me sinto. Já não há tempo para dúvidas existenciais, birras de adolescente, vontade de estar noutro sítio. Agora é mesmo abraçar a felicidade de ter nascido nesta família, ainda que sejamos todos tão diferentes, e de termos a sorte de partilhar a mesma história.
No meio destas emoções, o Henrique consegue sempre surpreender-me no fator adaptação. Andamos a rodar de casa em casa quase de semana para semana e ele não parece estranhar assim tanto. Adorou o mimo e a atenção (acho que tem uma paixão pela minha avó que tem um jeitaço inato para crianças, é impressionante como rejuvenesce junto dele), delirou com os patinhos e com o jardim e também se sentiu à vontade para fazer algumas das suas melhores birras. Anda a delimitar terreno, sobretudo a hora da refeição mas, como está um pequeno texugo, não nos preocupamos nada se não comer tudo... Às vezes perde-se a paciência com esta fase em que nos foge para mudar a fralda, só quer aproximar-se das esquinas mais perigosas ou das fichas elétricas e, muitas vezes, ainda temos de dar uma ajuda para adormecer. Depois de um dia menos bom, lá vem um dia excelente em que está bem disposto e em que tudo funciona bem para me dar forças. E entretanto lá fazemos mais uma viagem para visitar os avós de Coimbra.
sexta-feira, agosto 7
E o prémio de melhor descoberta das férias vai para... a praia da Fábrica
Eu não era a pessoa mais algarvia de sempre, nem sequer era muito de praia e tinha os preconceitos do costume relativamente ao Algarve - praias lotadas, filas nos restaurantes, preços inflacionados, mas o marido querido deu-me a conhecer Tavira logo nos primeiros anos de namoro. Esta zona está longe desses infernos que descrevem. Claro que é sempre melhor ir em julho ou setembro, que em agosto, mas nada que não se faça.
Gostamos de variar entre as praias da Lota, Manta Rota, Verde, Barril... mas talvez a que gostássemos mais, até este verão, fosse a ilha de Tavira com o necessário e lindo passeio de barquinho pela ria Formosa, e porque é também a praia da infância dele...
Rapariga cheia de curiosidade que sou, quando ouvi falar que a revista Traveler, do grupo Condé Nast, tinha escolhido a praia da Fábrica, em Cacela Velha, como uma das melhores do mundo, convenci-o a irmos. Esta vilazinha amorosa já é paragem obrigatória há muitos verões para os nossos jantares. A Casa Velha é o nosso restaurante de eleição para comer choquinhos à algarvia, ostras, arroz de lingueirão entre outras iguarias e este ano não foi exceção. O Henrique deixou-nos jantar fora todos os dias, enquanto dormia no carrinho.
Lemos que o acesso a esta praia - e também à de Cacela Velha, que fica mesmo ao lado - é feito em barquinhos de pescadores junto ao restaurante Costa, também conhecido pelo arroz de lingueirão, nesta pequena localidade da Fábrica, por isso ficámos com medo que fosse algo precário, que não assegurasse as condições necessárias a um bebé. Mal chegámos sossegámos quando percebemos que há alguma organização nos barcos, há até uma tabela de preços (1€ para a Fábrica, 1,5€ para Cacela Velha) e horários com travessias até às 20h30, o que nos deixou bem mais descansados, mas também mostra que a procura ainda é alguma... Subido o barquinho a motor, faz-se a viagem de 2 ou 3 minutos para atravessar a ria e logo, logo está-se na praia, que é uma língua deslumbrante de areia, sem palhotas, música alta, nada de concessões, nem de bandeiras ou de nadador salvador, mas a água praticamente não mexe, não há grandes perigos... Graças à escassez de lugares de estacionamento e do acesso condicionado pelos barcos, há quase uma linha única de chapéus em frente ao mar e, quem quiser andar mais, está sozinho. Foi aqui que o Henrique passou a gostar da água do mar, porque na maré baixa forma umas poças quentinhas perfeitas para os mais pequeninos brincarem. Depois de muito chapinhar, foi ao banho com o pai e gostou muito, a água também estava mais quente que nas restantes praias. Num dos dias até decidimos optar pela aventura de vir pela ria na maré baixa a pé. Mesmo com o Henrique ao colo - que já pesa 9 quilinhos de amor - fez-se bem. O lodo e as partes mais escuras da ria fazem alguma impressão mas também fez arte do momento.
Sinto que isto para mim é que é praia e descanso com o verdadeiro contacto com a natureza, sem ninguém a empatar a nossa vista e espaço. E ainda avistámos bolinhas num dos dias - acho que íamos tarde demais para apanhá-las mais vezes, mas elas andam por lá... Fiquei verdadeiramente feliz de ter descoberto este santuário para as nossas férias deste e dos próximos anos. Até fiquei com vontade de voltar no inverno para procurar uma casinha ali mesmo em Cacela Velha para arrendar no próximo verão.
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